segunda-feira, 25 de junho de 2007

na praia

"Eram jovens, educados e ambos virgens nessa noite, sua noite de núpcias, e viviam num tempo em que conversar sobre as dificuldades sexuais era completamente impossível." , é assim que começa.

Impliquei com essa explicação adiantada e tive a impressão de que ele estava se desculpando, ou dando instruções para ler o livro naquele contexto.
derreti na segunda frase: "Mas nunca é fácil ".

o aviso do contexto me perseguiu. é trabalhoso lembrar a todo momento que a história acontece no começo dos anos 60, e não no século XIX (a problemática é muito casta). já tinha pensado esse comentário quando o noivo Edward me dobrou, nas últimas páginas: "Você não conhece nada disso, não é? Leva as coisas como se estivéssemos em mil oitocentos e sessenta e dois. Você nem ao menos sabe beijar."

o mcewan disse numa entrevista que livro que não tem nenhuma cena de sexo não presta. e o que há de sexo na história é muito, muito legal. ao longo do livro vai melhorando sem dó. também são muito legais as sensações do Edward como parte de uma família toda difícil. "Mas nunca é fácil." as últimas páginas são sensacionais e despenquei a chorar.

o livro é muito chique. curtinho, todo bonito, muito preciso, redondinho, uma bolinha de gude.



McEwan, Ian Na praia/ Ian McEwan ; tradução Bernardo Carvalho. - São Paulo: Companhia das Letras, 2007 Título Original: On chesil beach Copyright 2007 Ian McEwan Proibida a venda em Portugal

Um comentário:

David F. disse...

O final é foda mesmo. Li inteiro em um dia de aeroportos e conexões. Foi o que me salvou a sanidade em pleno apagão aéreo. McEwan é bom.